Transformar pesquisa científica em soluções tecnológicas para os desafios da pecuária leiteira é o propósito da Vaca Roxa, empresa que vem ampliando sua atuação no desenvolvimento de tecnologias para o monitoramento da saúde dos rebanhos e da qualidade do leite. A empresa conquistou reconhecimento em dois importantes programas de fomento à inovação em Minas Gerais: o Centelha 3 e o Compete Minas.
No Centelha 3, a proposta alcançou a 9ª colocação entre as 100 selecionadas para a segunda fase do programa, que recebeu 749 propostas em Minas Gerais. O resultado veio após a reversão de uma desclassificação inicial, por meio de recurso apresentado pela equipe. Segundo a Vaca Roxa, a proposta recebeu nota máxima na nova avaliação técnica.
A iniciativa prevê o desenvolvimento de um detector inteligente de antibióticos no leite, solução que integra sensores fotométricos, incubação automatizada e rastreabilidade digital. A tecnologia pretende permitir a identificação de resíduos de antibióticos diretamente nas propriedades rurais, contribuindo para o controle de qualidade do leite e a segurança alimentar.
Já no Compete Minas 2026, a proposta da empresa está direcionada ao aperfeiçoamento da Raquete Digital IoT, principal tecnologia desenvolvida por ela para auxiliar no monitoramento da mastite bovina. O projeto prevê melhorias nos equipamentos e na integração entre os sistemas digitais, buscando facilitar o acompanhamento da saúde dos animais e a gestão sanitária do rebanho.
Embora contemplem soluções diferentes, as duas iniciativas estão conectadas pelo objetivo de desenvolver ferramentas tecnológicas para atender às necessidades da cadeia produtiva do leite.
“Para nós, conquistar essas duas oportunidades significa poder avançar em frentes complementares da inovação. De um lado, aperfeiçoamos uma tecnologia que já vem sendo desenvolvida e aplicada em campo; de outro, abrimos caminho para uma nova solução que poderá contribuir para resolver outro problema importante da cadeia leiteira”, explica Tatiana, médica-veterinária e representante da Vaca Roxa no IpêTech.
Da pesquisa ao campo
A trajetória da Vaca Roxa é marcada pelo desenvolvimento e pela validação da Raquete Digital IoT. A tecnologia utiliza medições de condutividade elétrica do leite, associadas a sistemas digitais de monitoramento, para auxiliar na identificação de alterações relacionadas à mastite bovina.
O sistema reúne equipamentos eletrônicos, aplicativo veterinário e plataforma web, permitindo registrar informações por animal e apoiar decisões sobre o manejo sanitário do rebanho.
De acordo com Roberto Carlos Valicheski, fundador da Vaca Roxa, a empresa vem avançando de uma iniciativa baseada em pesquisa e desenvolvimento tecnológico para um empreendimento com aplicações práticas e perspectivas de expansão comercial.
Até setembro de 2026, a equipe havia realizado 304 testes de campo em propriedades de Minas Gerais e Santa Catarina, além de entregar as cinco raquetes previstas no projeto apoiado pelo Programa Cientista Empreendedor, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG).
A empresa também vem ampliando o relacionamento com produtores e profissionais da área veterinária em diferentes regiões mineiras. Outro marco foi a participação em uma reportagem do programa Globo Rural, em setembro de 2026, que deu maior visibilidade à tecnologia.
“Esses resultados demonstram que estamos construindo não apenas um equipamento, mas uma solução tecnológica voltada às necessidades da cadeia produtiva do leite”, destaca Roberto.
O papel do ambiente de inovação
O desenvolvimento da Vaca Roxa também está relacionado à sua inserção no ambiente de inovação do Parque Científico e Tecnológico dos Ipês, na UFLA. O acompanhamento institucional tem contribuído para a estruturação dos projetos, a participação em editais de fomento e a aproximação entre pesquisa científica e mercado.
A equipe destaca especialmente o apoio do professor Alex Bager, coordenador de operações da Diretoria de Parques Tecnológicos da UFLA, nas orientações para elaboração e submissão da proposta para os editais de fomento.
“O diferencial desse apoio está justamente em ajudar a transformar uma boa tecnologia em um empreendimento sustentável, com planejamento, estratégia e perspectivas reais de crescimento”, afirma Roberto.
Tatiana também ressalta a importância do acompanhamento durante a participação no Centelha. Segundo ela, as orientações contribuíram para organizar as ideias e apresentar melhor o potencial da inovação.
“Acreditamos que esse é um dos grandes diferenciais de estar inserido em um ambiente de inovação como o IpêTech: saber que podemos contar com profissionais experientes, que compreendem os desafios enfrentados por empresas de base tecnológica e estão dispostos a contribuir para seu desenvolvimento”, afirma.
Novas perspectivas para a cadeia leiteira
As oportunidades de fomento deverão contribuir para ampliar as atividades de validação científica, aprimorar os equipamentos e fortalecer a integração entre hardware e software. Entre as perspectivas estão a ampliação das parcerias com pesquisadores, médicos-veterinários, laticínios, cooperativas e propriedades leiteiras.
A empresa também pretende avançar na padronização dos equipamentos, no aprimoramento da plataforma digital e na organização dos processos de atendimento e suporte técnico.
Para Roberto, o objetivo é ampliar a presença das tecnologias no campo e consolidar a empresa no mercado.
“Queremos demonstrar que a inovação desenvolvida a partir da pesquisa científica pode sair das universidades, chegar às propriedades rurais e transformar a realidade dos produtores de leite”, disse o fundador.
